Sua posição ética é sempre a mesma ou muda em função do cenário?

Menino chorando com vários dedos apontando para ele
Foto: Pixabay
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Bullying é terrível em qualquer idade e situação. Não podemos ser cúmplices e nem omissos.

Falar de histórias alheias nos dá a isenção necessária para avaliar o contexto e sim, se enojar com ele.

Vou contar uma história para vocês hoje que já foi contada inúmeras vezes, mas talvez haja um elemento novo que faça pensar.

Pois bem…

Luis é um garoto exemplar. Filho amoroso, excelente aluno e amigo dedicado.

Com uma inteligência acima da média, não tem dificuldade na escola e está sempre disposto a ajudar os amigos com as tarefas e estudos.

Nunca nega ajuda, está sempre pronto para auxiliar quem precisa e é bastante requisitado nessa função.

Certo dia, seu suposto melhor amigo consegue 3 convites para a festa mais esperada do ano.

Luis aguarda ansioso que seu amigo o inclua entre os escolhidos para lhe acompanhar.

O amigo, no entanto, subitamente desaparece. Não atende aos telefonemas de Luis, não retorna suas mensagens.

De volta à escola, na semana seguinte, o assunto é só a festa. Luis, completamente isolado assiste a tudo com tristeza.

O amigo, sem graça, tenta se justificar colocando a culpa na aniversariante e diz que ela solicitou que ele chamasse outros garotos, mais atraentes.

Luis nada fala. Com tristeza, escuta tudo com olhos marejados.

Nos dias que se seguem, Luis se isola, mas ninguém nota ou se importa em inseri-lo nas conversas. Obviamente, não havia espaço para ele.

Passado um tempo, Luis não aparece na escola. Mas ninguém percebe.

Um pouco antes do término das aulas a coordenadora entra na sala de aula e pede a atenção de todos para dar uma triste notícia: Luis havia se matado naquela manhã.

 Quantas vezes já escutamos histórias assim ou parecidas?

Quantas vezes nos lamentamos e discutimos esse assunto com nossos amigos e familiares tentando entender o porquê nossos jovens têm sido tão vítimas dessa situação?

Nunca será fácil entender e aceitar. Com certeza todos que lerem esse texto concordarão com essa afirmação.

Ok. Mas por que não temos a mesma reação de repulsa e indignação quando se trata de abuso/bullying/assédio corporativo?

Por que os profissionais que passam por situações desse tipo no ambiente de trabalho, não podem reclamar? Por que são mau vistos se o fazem?

Existe uma ditadura velada contra esse tipo de situação.

As pessoas se sentem obrigadas a sofrer em silêncio, a aceitar o abuso como prática normal.

E é por isso que os maus gestores continuam a agir da mesma forma. Impunes, poderosos e letais.

Usam as pessoas, sugam o que podem e as descartam como a um papel de bala.

E assim sucessivamente, vão deixando suas vítimas pelo caminho enquanto se consolidam no poder.

 E nós assistimos calados, omissos.  Afinal, enquanto é com o outro o melhor é não meter a colher, certo? Não, errado!

Mas isso vai depender de como você responder a pergunta: sua posição ética é sempre a mesma ou muda em função do cenário?

Se a história de Luis te sensibilizou, não é possível que concorde com o bullying corporativo.

Como disse no início, me sinto isenta para escrever sobre isso.

Nunca tive voz para me defender, mas nunca me omiti com injustiças alheias. Sempre me posicionei e em duas ocasiões consegui mudar o desfecho.

Na primeira, consegui reverter uma demissão arbitrária. Na outra, ao menos um pedido de desculpas formal para a pessoa que tinha sido humilhada.

Se cada um de nós tiver a coragem de se indignar e fazer algo pelo próximo, talvez não tenhamos tanto a lamentar.

Fingir que não está vendo, não resolve o problema.

Sejamos mais humanos. Tenhamos mais empatia.

Um dia pode acontecer com você e se assim for, espero que haja alguém para lhe estender a mão, para ficar ao seu lado.

 

Claudia Taulois – Publicitária, Escritora e Founder da Engaging

 

 


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