Sapato velho

sapatos velhos
Foto: Pixabay

Em certos momentos me vejo um pouco ácida em meus textos. Geralmente isso acontece quando vejo injustiças.

Não sei se é devido ao meu signo (balança) ou da minha personalidade mesmo, mas essa questão sempre me tirou do prumo.

Não consigo ficar quieta ou imune ao ver a conduta de pessoas que “empoderadas” em seus altos cargos, têm o poder de decretar o destino de outras com tanta frieza e descaso por capricho.

Será que pensam nos impactos, consideram ao menos por alguns minutos o cenário ao entorno?

Poucas vezes tive boca para me defender, mas nunca me calei com situações alheias que presenciei.

Na maior parte das vezes me vejo falando sozinha. Difícil quem comente, quem concorde publicamente, quem ajude a questionar as más práticas.

Se a indignação e a cumplicidade fossem características de todos nós, o mundo seria certamente um lugar melhor e mais justo.

Em certos momentos diante de inúmeras situações difíceis, cheguei a me questionar: Ahhh, por que não me calo?

Mas assim como uma chuva de verão, o sentimento passa e volto a ser aquela que sempre fui.

A frase de Martin Luther King diz muito sobre isso:

“O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”.

É claro que as empresas precisam pensar estrategicamente e ter em seus quadros pessoas competentes e capazes…blá, blá, blá.

Embora a frase acima seja verdadeira, os motivos pelos quais as pessoas são demitidas, ainda são sinistros. De uma forma geral: desnecessários.

No final é tudo política.

Uma empresa não pode demitir pessoas sistematicamente sem motivos reais, gerando um clima de abatedouro, em que todos estão na fila independente de resultado, entrega e comprometimento.

Parece loucura, mas infelizmente é a realidade de muitas pessoas, que se sentem como um chiclete que perdeu o doce e foi cuspido. Um sapato velho.

A questão é que para algumas pessoas, não há sapato que sirva. Nunca nada serve, é suficiente ou está bom.

Uma pena que assim seja para a própria infelicidade de quem chefia dessa forma e sobretudo para aqueles que são obrigados a conviver com essa situação.

Por trás de um incompetente há uma fila de descartados pois um “líder” ruim se esconde e se perpetua trocando as peças de tempos em tempos.

Usa, suga a energia de quem chega e descarta assim que possível. Afinal, quem vem sempre trás um gás novo, uma ideia ainda não testada, um brilho de esperança.

O único alento para quem passa por isso é o livramento, a sensação de paz que virá depois que a dor amenizar.

Posso dizer isso tudo com propriedade porque já fui vítima também.

Sofri, me reergui e hoje faço de meus braços e ouvidos, um porto seguro para quem precisar desabafar.

Não por acaso tenha escolhido ajudar as pessoas em momentos de vulnerabilidade.

Sim, a dor delas dói em mim de verdade.

Portanto, quando necessário serei sim crítica e darei voz aos descasos que vejo aqui e acolá.

Deixo o convite para que aqueles que concordarem, engrossarem meu coro. Não se omitam, não deixem de se manifestar com a falta de ética, solidariedade e empatia.

O mundo está cada vez mais difícil e clama por pessoas corajosas que queiram mudar o “status quo”.

Só depende de nós!

#Estamosjuntos

Claudia Taulois – Escritora, publicitária e founder da Engaging

 

 

Compartilhe este post com seus amigos:
Dê sua opinião:
2 0

Comente!

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

pt_BRPortuguese
pt_BRPortuguese