Resolver é libertar-se. É colocar um ponto final. É seguir sem lembrar.

Borboleta laranja
Imagem de Stefan Schweihofer por Pixabay

Você se arrepende de algo que poderia ter mudado o rumo de sua vida se tivesse agido de outra maneira?

Se sim, ao menos aprendeu com o erro? Conseguiu se perdoar?

Às vezes uma situação mal resolvida pode nos prejudicar por anos. O simples fato de não esquecer e ficar remoendo o assunto, traz uma energia ruim, que deve ser eliminada o quanto antes.

Somos os responsáveis por tudo que nos acontece, pois de certa forma permitimos ou não.

Mas como podemos deixar para trás questões que nos marcaram tanto?

 

Eu sabia que não estava feliz. As coisas não vinham bem há muito tempo.

Tudo havia mudado e muito.

Eu estava presa no passado, na ideia que fazia do que já havia existido. Tentava acreditar que as coisas poderiam voltar a ser como antes.

Mas essa é uma variável muito difícil quando cruzamos certas linhas que não se podem ser cruzadas em hipótese nenhuma.

Podemos perder muitas coisas em relações que já não são sadias, mas o respeito jamais.

Quando nos acostumamos a ser humilhados sem nada fazer, perdemos nossa dignidade e emitimos um sinal de baixa autoestima e valor próprio que acaba com nossa imagem.

Ainda assim, me acomodei.

Tentei me convencer que o que encontraria fora poderia ser pior. Mesmo cortejada, não fui em frente.

Para os covardes, o desconhecido é mesmo assustador. Melhor seria manter aquela situação desconfortável, porém conhecida.

Uma falsa sensação de controle.

Claro que não poderia acabar bem.

Prolongar aquela relação nociva fez com que eu me colocasse em uma situação difícil.

Deveria ter buscado opções imediatamente pois o cenário era claro e cristalino. Mas preferi me iludir.

Era uma aposta e às vezes pode dar certo. Até porque, tinha outras compensações.

Mas havia a tal da linha que eu permiti que fosse ultrapassada.

Na primeira vez que fui humilhada, deveria ter dado o basta e delineado os limites.

Não o fiz. Segui e emiti os sinais errados. Para a outra parte, ficara claro que eu a deixaria continuar.

A verdade é que só existe um abusador quando do outro lado alguém se permite viver aquela experiência.

Posso listar inúmeros motivos. Não importa. Nenhum justifica.

Não podemos jamais nos colocar nesse papel.

Todos concordam?

Até aqui, um discurso ético e totalmente verdadeiro. Sim, no papel é lindo!

Só esquecemos de contextualizar o país em que aconteceu e que acontece todos os dias.

No nosso Brasil não adianta ter brios, querer ser herói.

Se eu tivesse exigido respeito, deflagraria um confronto.

E sendo assim, a situação poderia piorar muito e virar contra mim. Acreditariam na minha versão?

Como provar?

Procurar respaldo na justiça? Meu próprio advogado não me aconselhou a fazê-lo: “Busque reparo por outros motivos, jamais por esse.A briga não vale. Você é o lado fraco. Virão para cima com tudo. É muita exposição.”

Em outras palavras: eu ficaria desacreditada. Perderia a causa, teria que pagar as custas do processo.

Foi difícil aceitar. A contragosto, desisti. Abri mão.

Era como estar num coma induzido. Quando os equipamentos fossem desligados, era óbvio que o ser que permanecesse ali sofreria muito para se recuperar.

Não há como sair disso sem sequelas.

Ao final prevaleceu o bom senso: “Não quero ter razão, eu quero é ser feliz!”

Será possível?

Vou confessar que tenho pesadelos até hoje. Nessas ocasiões me vejo no mesmo lugar, passando pelas mesmas situações.

Ao acordar, o alívio…

Mas ao revisitar a situação com frequência, sei que não encerrei de verdade o caso.

Sou espírita e chego a pensar que por ter deixado pendente, talvez tenha que resolver em outra vida…

Já pensou? Não, por favor não.

As pessoas dizem que preciso esquecer. Concordo e era o que mais queria, mas as coisas voltam sem que eu esteja pensando no assunto.

Eu sei que não aprendi com o erro e talvez por isso eu não tenha superado. Se eu tivesse aprendido, não teria tido medo de buscar reparação na justiça.

Ao ser conduzida em minha decisão, fraquejei novamente.

Precisava ir até o fim e colocar um ponto final.

Infelizmente terei que conviver com isso, mas espero que tenha finalmente aprendido com meus erros.

Chega de ser submissa, de ter medo.

Aceitar a opinião alheia sem concordar não é resolver.

Fingir não traz cura. É voltar a sonhar com o problema todas as noites.

Resolver é libertar-se. É ter justiça. É colocar um ponto final. É seguir sem lembrar.

Esse breve relato poderia tanto ter acontecido numa relação pessoal, quanto profissional.

Poderia ser a vida de muitas pessoas.

Qual foi o seu caso? Qual é a sua história? Qual foi a minha?

Só conseguimos seguir se esquecemos e para isso é necessário libertar o peso que há dentro da gente.

 

Claudia Taulois

Compartilhe este post com seus amigos:
Dê sua opinião:
0 1

Comente!

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

pt_BRPortuguese
pt_BRPortuguese