Qual o meu papel como mãe e como isso afetou (positivamente) a minha carreira?

Mão e mãe acolhendo mão de bebê
Foto: Pixabay

Ser mãe nos prepara para qualquer papel e nos fortalece para a vida corporativa.

Outro dia eu estava conversando com a Sofia, minha filha de 12 anos, sobre as tarefas de casa.

Ela já está acostumada a executar algumas coisas na casa, como arrumar o quarto dela, preparar seu próprio café da manhã e lanche da escola, e lavar louça ocasionalmente.

Mas por conta das férias da diarista que me ajuda, tive que fazer um planejamento maior para incluir limpeza da casa e de roupas.

Nessa divisão ela supôs que eu faria uma quantidade maior de atividades do que ela. (você vê, né , filhos rs)

Eu, obviamente, perguntei o porquê dela achar isso, e ela respondeu com toda a simplicidade dos 12 anos: – Porque você é a mãe, ué!.

Então quer dizer que, mesmo eu tendo várias responsabilidades a mais, tempo a menos, eu tenho que fazer coisas que ela tem a mesma capacidade que eu de fazer, porque sou a mãe?

Jura? Hm….

Foi então que eu perguntei para ela, mas querendo ouvir para eu mesma entender: – Sofia, qual o meu papel mais importante como mãe para você?

Depois de refletir muito, ela respondeu que era ouvir os problemas dela e dar conselhos sobre como ela poderia agir, além de sempre dar amor e apoio quando ela precisar.

Pensando sobre essa resposta, e sobre outras relações de mãe e filhos de algumas amigas, comecei a me perguntar mais fortemente se todas nós, mulheres, profissionais do sexo feminino, sabemos o nosso papel como mãe.

Afinal, um cargo profissional tem hora para começar e acabar (9h às 18h), porém a profissão mãe não!

É um trabalho 24 horas por dia, por basicamente o restante da sua vida.

Você já perguntou isso a si mesma ou aos seus filhos?

Se você tem filhos de idades diferentes vai se surpreender com as respostas, porque elas podem variar muito conforme a necessidade de cada etapa da vida.

Afinal, em cada etapa desempenhamos um papel diferente, as vezes agregando funções anteriores à novas, as vezes tendo que desempenhar as mesmas funções por anos e anos.

Bem, o lado bom foi que eu não ouvi que lavar a maioria da roupa da casa entrava nas prioridades de mãe para a minha filha. rs

Mas esse caso é curioso, por que desde que eu tive a Sofia, pude ver diversas funções de mãe que são extremamente parecidas com as de gerente.

Eu me via fazendo orientando minha filha, justamente como orientava a minha equipe e foi aí que deu o click!

Como minha visão de maternidade me ajudou na minha carreira?

Eu desenvolvi uma visão de maternidade bem específica, e talvez mais prática do que teórica.

A minha visão busca orientar o desenvolvimento de uma pessoa saudável, feliz e autônoma, que possa alçar seus próprios voos, entender sua própria personalidade e ser capaz de se desenvolver.

Para mim isso é uma relação SAUDÁVEL, que incentiva o crescimento pessoal e espiritual de um ser que, mais cedo ou mais tarde, vai precisar lidar sozinho com o mundo, suas expectativas e problemas.

E é EXATAMENTE esse modus operandi de mãe que fez com que eu visse minha missão como líder e colega de trabalho de uma outra forma. Ser mãe me tornou mais humanizada e paciente.

Fiquei menos crítica e irritada com erros, me tornando uma pessoa e uma profissional melhor, mais analítica e preparada para orientar e entender, e não simplesmente gerir ou ordenar.

Como gestora de pessoas sempre preguei o desenvolvimento contínuo da minha equipe em busca de autonomia e maior contribuição, e mesmo deixando a equipe se desenvolver por si só, passei a compreender e identificar melhor as dificuldades de cada pessoa numa entrega, por exemplo.

Depois de um certo tempo trabalhando e cuidando da Sofi consegui perceber que a forma como eu falava e pensava a educação da minha filha já fazia parte, bem antes dela nascer, do meu discurso normal dentro da empresa.

A mesma autonomia e orientação que eu dava à minha filha, sempre buscando faze-la crescer por si só, era a autonomia e orientação que eu dava à minha equipe.

Era um tipo de gestão aplicável tanto profissionalmente, como gestora, como pessoalmente, como mãe.

Eu pude ver com toda a clareza possível que a minha missão como mãe era vinculada à minha missão como pessoa, e a minha missão como pessoa vinculada à minha missão profissional.

Percebi que tudo vêm da mesma raiz – o propósito como pessoa, como ser humano.

E, para mim, esse tipo de visão é incrível.

Quando você para de analisar um cargo, uma função, e humaniza um profissional, tentando entendê-lo como um ser com capacidades específicas e um desenvolvimento específico, você pode geri-lo com uma visão 360º, e dar autonomia e orientação para o próprio funcionário crescer.

Justamente a estratégia que eu tinha com a minha filha.

As escolhas que eu tomei como mãe.

Eu era vista na empresa como uma profissional que tinha uma filha e se dedicava a ela, e não como uma mãe que está indo trabalhar.

Eu fiz várias escolhas em função desse papel.

Optei por não entrar em empresas que me impediriam de ter o tempo que eu julgava necessário dedicar à ela, negociei aumentos de equipe ou prazos maiores para não ter que fazer horas extras ou levar trabalho para casa.

Mesmo assim, com todas essas escolhas, nunca fui vista como uma mãe que trabalha.

Sempre fui respeitada como uma profissional que é uma mãe dedicada, o que é bem diferente.

O que é importante deixar claro aqui é que, independente da forma como você opte por gerir sua carreira ou seus filhos, o nível de dedicação que você quer dar à sua família sempre vai depender de encontrar seu maior valor como mãe e de dedicar tempo de qualidade em cima desses valores.

Fazer concessões faz parte do mundo moderno, e da mulher que quer se realizar em outras áreas da sua vida além da maternidade.

Abrir mão de tarefas domésticas, que podem ser executadas por outras pessoas, dividir mais coisas com seu o pai dos seus filhos, ou pedir que eles já façam aquilo que eles têm autonomia para fazer são boas formas de criar mais tempo para uma maternidade de qualidade e para seus objetivos de carreira.

Lembre-se: É possível ter uma postura como mãe e profissional buscando orientar, entender e ajudar.

Essa é, na verdade, a maior dica para conseguir manter os dois (pessoal e profissional) em equilíbrio e percorrer o caminho que você escolheu para si mesma.

Carol Palombini

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