O banqueiro que virou professor: tombos e conquistas de um profissional igual a você

Foto:Pixabay
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Professor ou CEO? O que determina quem você é não é o cargo que ocupa e sim a sua atitude ao exercer uma atividade.

Quando olhamos o CV de uma pessoa que ocupa ou ocupou posições de destaque em sua carreira, nossa primeira (e quase sempre única) reação é: “Wow, que demais!”.

No entanto, esta reação é baseada numa informação pobre, que não nos permite saber o que está por trás deste sucesso.

Não nos deixemos enganar: o sucesso profissional vem acompanhado de dores.

É doído chegar lá em cima – ainda que as ‘endorfinas’ da ambição facilitem a jornada de quem tem vontade, preparo e sorte. Só que é mais doído ainda permanecer lá em cima – sempre solitário, carregando todas as pressões do universo.

E assim segue este ‘sofrer no paraíso corporativo’, até que um dia este executivo diz “chega, não quero mais isso para mim” … ou dizem isso para ele.

A segunda opção é a mais traumática, naturalmente, especialmente quando não esperamos e/ou julgamos injusta a decisão que veio de cima.

Mas, acreditem, não é muito pior do que decidir parar sem que estejamos preparados para o novo passo de carreira.

Eu sou um desses que, em 35 anos de carreira, atingiu a tão almejada (para muitos, não todos) posição de CEO. Antes fora diretor executivo de bancos importantes e membro de conselhos de administração. O pacote de sucesso completo.

Posso dizer me realizei bastante … e também que doeu muito. Não que as organizações e seus acionistas/executivos sejam maus – Ok, tem gente má –, mas eu sou muito franco em dizer que, na maioria das vezes, nós simplesmente não nos adequamos/encaixamos no papel esperado.

E, pior, este papel muda com o tempo e as necessidades das empresas!

Em 2009, ainda colhíamos o resto do tsunami financeiro da crise do subprime americano.

Eu era CEO de duas seguradoras que tinham resultados excelentes no Brasil, mas a matriz sofreu muito com a crise global e resolveu desacelerar brutalmente o nosso negócio.

E eu neste contexto?

Oras, ainda relativamente jovem e eufórico com o sucesso obtido, fiquei transtornado com a nova missão: ir aos clientes e informar que não mais cobriríamos seus riscos como antes.

Decisão: pedi demissão.

Civilizadamente, mas pedi. Informei, arrogantemente, que eu era um profissional talhado para expandir negócios – como tinha feito tão bem nos últimos 4 anos – e que se fosse para freá-los, melhor colocarem outra pessoa.

O fato é que eu não estava com o meu juízo perfeito.

Eu já carregava uma depressão, que dava suas caras sob a forma de crises de ansiedade e alguns ataques de pânico.

Neste contexto, a notícia frustrante da matriz foi o gatilho para a decisão errada.

Até porque eu não tinha um Plano B. Apenas algum dinheiro guardado.

Depois disso, como ocorre com tantos, ocupei mais algumas posições executivas por curtos períodos de tempo e tornei-me consultor.

Mas nada foi como antes. Parece que o copo de cristal havia caído no chão, quebrado e sido colado.

Voltara a ser um copo de cristal, mas rachaduras continuavam lá.

O executivo bem sucedido estava de volta, mas as cicatrizes estavam expostas.

Precisava de algo que me inspirasse genuinamente.

Até que um convite para dar aulas no MBA da FAAP, em 2011, transformou a minha carreira e, por que não, minha vida.

Fazendo um aparte, em todas as posições executivas que ocupei, sempre fui um líder de pessoas apaixonado pelo desenvolvimento delas.

E quando me vi à frente de 20-30 jovens com vontade de aprender e crescer, reparei que ensinar (e aprender junto) me causava imenso prazer.

Desde 2011 passei a levar a sério esta vocação tardia.

No início, ainda dividindo com outras missões, e agora praticamente em tempo integral.

Até montei, em sociedade, a EÒLAS Escola de Negócios, para poder fazer a coisa do meu jeito, a partir da minha bem-vivida experiência profissional.

Este artigo autobiográfico pretende mostrar que, saindo ou sendo saído de uma boa posição profissional, nossas carreiras darão voltas que jamais poderíamos imaginar. E estas curvas, subidas e descidas poderão ser maravilhosas.

Não devemos desanimar perante os infortúnios – porque eles sempre virão –, e sim trabalhar duro para estarmos sempre prontos para quando uma nova oportunidade surgir. E ela surgirá!

E estejamos preparados, pois do jeito que o mundo dos negócios vem se comportando, ela dificilmente se apresentará no mesmo tipo de negócio e posição. Muito provavelmente será em algo diferente – nem melhor, nem pior.

Que venham as mudanças e sucesso para nós, pessoas de bem!

Fernando Blanco


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