Mulheres Inspiradoras: A realizadora

Esse ano me dei conta de que estou há exatos 20 anos no mercado de trabalho. Sou CMO do Sexlog, a maior rede social adulta da América Latina, com mais de 10 milhões de clientes e 60 funcionários. Me orgulho de poder me dedicar de corpo e alma a um projeto que eu acredito, amo e conto com a sorte de trabalhar com os melhores profissionais que já conheci.

Ao olhar para trás, entre erros e acertos, momentos de alegria, dúvida, terror e até desespero, percebo quanto o mundo foi e ainda é duro com as mulheres em termos de crescimento profissional.

Tenho claro para mim que muitas das minhas dores e de outras mulheres ao meu redor, poderiam ter sido evitadas se tivéssemos sido respeitadas como merecíamos ao longo dessa jornada.

Tivemos que ser fortes, guerreiras e essa luta está longe de acabar e ainda há muito o que evoluir no mundo corporativo.

Mas se há 20 anos eu não tinha muitos modelos de mulheres em cargos de liderança pra me basear, hoje considero uma obrigação compartilhar o que aprendi com quem está começando agora.

Por isso deixo aqui algumas dicas que eu gostaria de ter recebido naqueles primeiros anos de desenvolvimento profissional:

1) Brigue pelas suas ideias, defenda o seu ponto de vista!

Trabalhar em equipe requer doses de serenidade e generosidade. É preciso dar espaço para que as outras pessoas demonstrem o seu potencial, suas ideias e resultados, além de reconhecer e celebrar quem faz um bom trabalho, mas… quem faz isso por você?

Lembre-se de cuidar de si, da sua imagem e de dar valor às suas ideias assim como você é capaz de valorizar as ideias dos outros. Às vezes você vai receber apoio, outras batalhas serão travadas sozinha. Não deixe de dar uma contribuição porque alguém fala mais alto ou porque aparentemente não há espaço para a sua opinião. Crie esse espaço, lute por ele. Se você é capaz de reconhecer o valor das pessoas ao seu redor, faça isso por você também. Valorize-se, transforme isso num exercício diário!

2) Sabe aquele cargo incrível que te dá ansiedade só de se imaginar nele? Você dá conta sim!

Um dos meu grandes medos quando comecei a me destacar profissionalmente é de que eu tinha alcançado todo meu potencial e não conseguiria dar conta de mais nada a partir dali. Olhar para cargos mais altos, mais complexos, me faziam antecipar um peso que eu não seria capaz de suportar. A novidade é: a gente suporta.
No início da nossa jornada profissional é natural acumular mais funções operacionais do que gostaria, mas essa fase também passa.

Ao ocupar cargos de liderança você vai conseguir delegar mais, distribuir funções mais “mão na massa” e se concentrar em atividades estratégicas. Fica mais fácil? Provavelmente não. Mas fica diferente. Não deixe o medo de não dar conta te congelar ou desanimar. É possível e você vai dar um jeito quando chegar lá.

3) Não adianta fugir: Você vai ter que falar de dinheiro/salário/aumento sim!

Durante muito tempo eu imaginei que ser uma profissional exemplar seria o suficiente para que as empresas e meus chefes entendessem o meu valor e fossem capazes de me reconhecer financeiramente.
O resultado é que eu vi colegas que entregavam muito menos, mas choravam mais, receberem aumentos e gratificações e eu não.

Infelizmente essa ainda é a realidade de muitas empresas: planos de carreira mal estruturados, líderes mal orientados, RH’s sobrecarregados, há uma infinidade de variáveis que pode sim prejudicar quem não reclama.

Não é uma tarefa fácil, ninguém gosta de fazer, mas às vezes será inevitável. Pra facilitar, converse com quem executa a mesma função que você em outras empresas, pesquise e apresente as suas descobertas ao seu líder na hora de falar sobre o assunto. Isso vai ajudá-lo a defender o que você está pedindo para outras áreas da corporação.

4) Crie uma rede de apoio, conecte-se com outras mulheres tão incríveis quanto você!

É importante lembrar: há vivências, experiências, sensações e percepções que só outras mulheres serão capazes de entender.

Ainda que estejamos evoluindo (aos poucos) em termos de igualdade de gênero no âmbito profissional, essa não é uma realidade estabelecida. Há uma série de demandas, necessidades e lutas que estão só no começo. O feminismo é uma luta diária e constante, em construção, e isso vai refletir no seu crescimento profissional.

Mansplaining (quando um homem quer explicar para uma mulher o que ela já sabe como forma de desmerecê-la), bropriating (quando um homem se apropria da ideia de uma mulher), manterrupting (você deve imaginar do que se trata) são só alguns comportamentos que vivenciamos no dia a dia e ainda é difícil explicá-los à maior parte das pessoas.

Uma rede de mulheres vai te ajudar a lidar com essas situações difíceis, vai te dar um espaço seguro para desabafar, pedir conselhos, ser ouvidas ou descobrir que o que você passa é mais comum do que imagina (infelizmente).

Portanto, encare isso como algo importante pra te fortalecer ao longo dessa jornada. Trabalhe com mulheres, contrate mulheres, coloque-as em papéis de liderança junto com você. Vai fortalecer a você e ao coletivo. E ao final, todos saem ganhando!

Mayumi Sato, diretora de comunicação da sexlog.com, uma das maiores redes sociais de sexo do Brasil.

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