Mulheres Inspiradoras: A Protetora

Galinha com seus pintinhos
Uma pessoa que nunca passou desapercebida. De personalidade vibrante como sua voz, sempre deixou sua marca em tudo que fez. Com seus cabelos prateados é a imagem da avó que todos temos em nosso imaginário e que temos vontade de abraçar e levar para casa.

Vou relatar aqui a vida de uma pessoa que desde a minha infância faz parte da minha história e a quem eu tenho profunda admiração, carinho e respeito.

Dona Eunice veio a ser para mim, o melhor e maior exemplo de alguém comprometida com a solidariedade e amor ao próximo.

Eu, meus pais e irmãos, morávamos em uma casa havia alguns anos, quando ela mudou-se com seu marido, Dr. Natal e suas duas filhas, Rosane e Lilian, para a casa vizinha.

Rapidamente, tornou-se a melhor amiga da minha mãe, grande companheira nos bons e maus momentos.

Minhas mais remotas lembranças me levam ao tempo em que ela, ocupada em seus afazeres domésticos de mãe e dona de casa, abandonava as panelas e me socorria nas dificuldades da matemática, que eu odiava e nada entendia e onde ela é mestra até hoje.

Outra lembrança que eu guardo com carinho é do cheiro e sabor dos bolinhos de arroz que ela fazia e passava pelo nosso muro do quintal, porque sabia que eu gostava.

Bem, vamos a sua história:

Dona Eunice dedicou-se a sua família desde muito pequena, quando tomou para si a tarefa de cuidar de um primo mais novo que havia perdido a mãe.

Além dessa criança, mais tarde com as filhas já crescidas, trouxe a mãe, D. Ada, o padrasto e o pai do primo que ela criou e que acolheu até os 80 anos dele, quando veio a falecer.

Ela não dividia apenas a sua casa, que era pequena para tantas pessoas. Dava de si uma parcela tão grande, que quase não tinha vida própria.

Ficou viúva aos 52 anos e como consequência natural da vida, na velocidade que perdia seus entes queridos, foi renascendo com a chegada dos netos.

Com toda sua vivacidade e alegria não era de se estranhar que gostasse de viver e tinha uma enorme paixão pelo Carnaval.

Já viúva e em idade avançada preparava um lanche reforçado, tomava um ônibus em São Paulo sozinha e se aventurava na Sapucaí para curtir as escolas de samba.

Retornava no dia seguinte feliz da vida sem deixar que o cansaço lhe dominasse.

Seu marido que tinha sido dentista com formação na aeronáutica, lhe deixou uma pensão razoável.

Um dia, ao receber essa pensão, presenciou uma cena em que um senhor idoso foi maltratado e humilhado na fila para receber o benefício.

Ela agigantou-se em sua defesa e a partir daí, passou a dedicar seu tempo para os velhinhos desamparados e esquecidos em asilos.

Foi em busca de donativos e até hoje se desdobra em fazer lindas miniaturas, e pintar quadros.

Faz rifas de sua arte e com o dinheiro compra roupas, artigos de higiene pessoal, alimentos, e o que for possível para dar um pouco de dignidade aos velhinhos.

Como se tudo isso não bastasse, alistou-se como voluntária no Hospital das Clínicas e pediu para trabalhar na geriatria.

Faz isso há dezenas de anos.

Hoje, aos 92 anos, grandiosamente vividos, continua desafiando o tempo, a idade, e segue sua vida em benefício do próximo, mesmo tendo dificuldade para se locomover e enfrentando ainda a grande tristeza de testemunhar a luta pela vida de um ente querido muito jovem.

O que mais dizer? Apaixonada pelas filhas, netos e bisnetos e muito agradecida à Deus pela dádiva de tê-los.

Essa é a minha amiga, minha segunda mãe, meu exemplo.

À ela toda a minha gratidão!

Celina Lassandro Rua

 

 

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