Mulheres Inspiradoras: A Desbravadora

Mulher meditando ao por do sol
Foto: Pixabay
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Tem uma frase que diz que às vezes precisamos abandonar a vida que havíamos planejado porque já não somos mais a pessoa que fez aqueles planos.

Uma certa manhã em Janeiro de 2017 eu levantei, fiz meu suco verde (como fazia todas as manhãs).

Sentei-me no sofá do meu apartamento lindo na zona sul do Rio de Janeiro e um filme começou a passar na minha cabeça em alta velocidade.

Em menos de 10 minutos tantas coisas começaram a me sufocar de uma forma tão avassaladora que eu percebi que não tinha outra opção senão agir.

Eu não era mais feliz em um casamento de 17 anos, não era mais feliz sendo dona de uma empresa de moda há 15 anos, não era feliz morando em uma cidade que me deixava insegura e a beira de uma crise de pânico.

E foi ali, sentada naquele sofá, aos 38 anos de idade, que resolvi apertar o botão do restart e recomeçar a vida do zero.

Separei-me, agarrei a minha cidadania europeia, mudei de país, fechei meu negócio…

Literalmente me desconstruí de TUDO que havia construído.

Deixei TUDO para trás: não só as coisas materiais, minhas referências, meus móveis, objetos, mas também o grande amor da minha vida: o Bang, meu filho de quatro patas (que minha família não me ouça – hahahaha).

O “estrago” interno era tão grande, que precisava de um tratamento de choque de verdade.

Precisava ser radicalmente egoísta, pensar em mim e somente em mim para tentar achar a Camila que ficou perdida em algum lugar da adolescência.

E me arriscar, testar, experimentar, fechar os olhos e saltar no desconhecido.

Depois de 1 mês de adaptação, a necessidade de trabalhar já me consumia completamente.

Meu primeiro emprego foi em um restaurante na esquina de casa.

Tinha que sair de casa e me sentir útil!

Quis ir direto trabalhar na cozinha e me sentia uma verdadeira chef cortando legumes a tarde toda.

Confesso que na primeira vez que tive que lavar o banheiro, uma mistura de sentimentos tomou conta de mim. Boas e ruins!

Logo depois (e sinceramente não por causa da limpeza do banheiro) resolvi mandar um email para uma empresa de alimentos da qual era consumidora ferrenha.

Primeira coisa que pediram, claro, foi meu CV. Que eu não tinha!

Era empresaria há anos…

Fiz em uma noite e enviei a resposta na manhã seguinte.

No dia da entrevista chovia mais do que é possível imaginar.

A fábrica ficava há 40 km de distância da minha casa e pedi um táxi porque não tinha condição de chegar até a estação de trem.

Pedi para o motorista me esperar, porque ia ter uma entrevista rápida e no máximo às 10hs estaria liberada (estava marcada para as 9hs).

Às 11h30 me lembrei que ele estava lá me esperando e disse que podia ir porque achava que tinha corrido bem.

Saí de lá às 18hs! O universo conspirou, e em uma semana estava empregada.

O cargo disponível era de Comercial Nacional e no meu primeiro dia de trabalho deram-me a chave de um carro para fazer as visitas aos clientes (ps: meu carro no Brasil era automático e eu tinha trauma de carros de marcha!).

Não sabia dirigir mesmo!

Vim chorando, deixando o carro morrer durante os 40 km até minha casa.

Após alguns meses passei para Comercial Internacional, depois incorporei a Área de granel e Projetos de Private Label (cargos que ocupo até hoje).

No campo pessoal, depois de 1 ano e meio morando sozinha, resolvi me juntar a dois amigos e hoje somos três roommates felizes.

Confesso que ainda não consegui me livrar da culpa de ainda não ter trazido o Bang (que felizmente está super bem com a minha mãe).

Parando para escrever o texto e fazendo um balanço desses dois anos e 1 mês na nova vida, algumas conclusões: sou muito mais corajosa, destemida, determinada, grata, estável emocionalmente e sem sombra de dúvidas, MUITO mais feliz.

Camila Melo


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2 Comments
  1. Que linda coragem! ?

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    • Também acho! Admiro muito as pessoas corajosas e que nõ se contentam com pouco. 🙂

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