Mulheres Inspiradoras: A Desafiante que Venceu

Furacão
Image by Jonny Lindner from Pixabay

Sorte ou benção?

Sorte ou benção? Não sei ao certo com o que fui mais premiada.

Nasci numa família “de ouro” para lá de especial: batalhadora, cheia de amor, corações dos mais puros e respeito ao ser humano que pouco encontrei ao longo de minha vida, tudo enlaçado em carinho, do mesmo modo muito, muito, muito, muito trabalhadora e exigente.

Alguns diziam parecer um “quartel”.

Assim fui moldada, cheia de amor, crente em Deus e muito batalhadora.

Meu irmão sempre foi um aluno brilhante, exemplar, educado e um dos mais bonitos da cidade.

Eu caçula, mimada e protegida, tinha então um primeiro desafio a vencer: todos em casa com uma beleza acima da média, eu vinha fora do “padrão”.

Estudar não era meu forte, gordinha, e “pouco me importando” para os padrões de beleza impostos pela Califórnia Brasileira.

O primeiro desafio foi começar a trabalhar aos 14 anos, já que as notas não eram assim tão exemplares.

Queria brincar, dançar, sapatear, meus pais contariam a vocês a barulheira que era em casa.

Mas como todos os atos recheados de amor e disciplina, me ensinaram a importância do trabalho e de dar valor à construção de uma vida sustentável.

Fui lá praticamente ser um a “office girl”. Ir ao banco era um sofrimento, tinha vergonha, chorava e assim então aprendi a importância em se relacionar com todos. Desafio 01 vencido.

Logo em seguida, o sonho de morar fora. Hoje vejo que deveria ter ido aos EUA, aprender inglês, mas qual era meu sonho: França.

Não sabia uma palavra, não tinha ninguém, não tinha uma referência, só SENTIA, #sóseisentir!

Juntei dinheiro e avisei em casa que iria. Uma surpresa: “fazer o que por lá?”, “ Tem tudo aqui!”

De verdade tinha, mas faltava EU!

FUI!  Mesmo com meus pais oferecendo o dobro do valor da viagem para que eu não fosse, precisava!

Necessitava ver lá fora, como Miguilim[i]< /span> vestindo os óculos.

Chegando lá, chorei, perdida!

Que “moda fui inventar”, “meus pais estavam certos”, todos os pensamentos da insegurança…

Ali, me vi! Respirei pela primeira vez! Um ar que encheu meus pulmões para todos os próximos passos.

“Vive la France”.

Ao voltar decidi mudar para São Paulo: sair da segurança da empresa da família, um dos escritórios de advocacia mais admirados do Brasil, para desbravar o EU que tinha encontrado em La Rochelle.

Acreditei naquela menininha. Não passei por nenhum perrengue como muitos vencedores, mas vivi uma pressão por estar NOVAMENTE fora do padrão esperado.

Vim, sofri para me adaptar às exigências da faculdade. Dei aula particular de matemática, posto que trabalhar já estava embutido em mim, procurei estágios, fui mandada embora e aprendi!

Ah, como aprendi! E tomei gosto por isso! Desafio 02 vencido: sair novamente do padrão e fortalecendo o EU.

Acabando a faculdade, tinha um projeto começando no escritório da família.

Fiz um acordo com meu lindo irmão, lindo em toda a amplitude que esta palavra pode ter, e voltei para implantar os novos rumos desenhados para o negócio.

Família feliz, abastecida de amor, porém tristeza no coração, não pertencia àquele local.

Desafio cumprido, projeto implantado, comecei então MBA e desenhar planos para ir passar um ano nos EUA, agora sim, o inglês estava fazendo falta.

Tudo encaminhando, fui premiada: GRÁVIDA!

Que susto! Solteira, fora dos padrões, sem casar e nem pretender casar, com um filho!

Vamos nessa! Benção pura!

Chega o lindo Arthur! Ah que desafio!!!

Já na gravidez me testou ao limite. Meu apelido em casa: furacão, tsunami e por aí vai.

Esse pequeno grande homem já me colocou de repouso de cara, risos!

Sei lá, como fiz isso! É o amor “né”? É animal, nato! Desafio vencido.

Nasce saudável o sábio, professor da vida! O mais valioso e precioso presente que eu poderia ter!

Desafio 03 vencido. Mãe solteira, fora dos padrões, no interior, pertencente a família “padrão” exemplar.

Acertei em cheio em minha opção. Presente de Deus.

Com tudo isso, filho, trabalho, projeto, MBA, família incrível: INFELIZ!

Não me via ali, não era EU.

Surge o convite para voltar para São Paulo. Balão de oxigênio à frente!

Amo essa cidade e tudo que ela me proporcionou, me proporciona e me proporcionará.

Inexplicável, simplesmente amo essa cidade, #sóseiamar!

Em três dias, Arthur no carro, viemos embora. Desafio 04 vencido, balão de oxigênio alcançado.

Trabalho, muito trabalho, muitos, e muitos, e mais muitos desafios, testes de tolerâncias, submissão em algumas situações, adaptação, erros, sofrimentos, lutas e injustiças.

Entendi que precisava entrar nos padrões para chegar onde esperava: emagreci!

Desafio 05, vivo correndo atrás dele, risos.

O que consegui?

Uma carreira que me dá uma satisfação danada! Atuo em uma franquia de uma grande empresa à qual me encho de orgulho em pertencer.

Um prazer danado em fazer o que faço, clientes que viram pessoas queridas e que me ensinam dia-a-dia e me fazem querer ser melhor sempre.

Conquistas no mercado internacional, algo muito maior do que tinha almejado para minha trajetória profissional!

O Arthur, ah o Arthur, menino de fibra, entrou em 5 faculdades direto, pois se preparou no decorrer dos anos.

Focado, hoje cursa Administração na FGV!

Mais que isso, educado, garoto querido, cheio de amigos e vivendo em sua plenitude seus 18 anos com tudo que tem pela frente!

E que seja belo, como ele!

Minha família contínua sendo tudo de mais precioso que tenho, agora com dois sobrinhos que enchem meu coração de amor e folias esporádicas.

Conquistas! Vitórias! Sabe por que?

O foco na alegria de viver e olhar para soluções me fez ser uma pessoa de construção.

Escrevendo este texto percebo que adoro absolutamente tudo o que vivi, mesmo com erros: cicatrizes valiosas.

Sou assim, buscadora de desafios e realizada com todas as minhas opções.

Falta o amor, quem sabe esse seja o próximo desafio! Tô dentro!

 

(*) Por Simone Viana Salomão

[i] Rosa, João Guimarães. Manuelzao-e-Miguilim.

 

 

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