De CEOs à Geração Y – O filme “O Círculo” ensina tudo o que NÃO fazer na sua empresa.

Pontos de interrogação luminosos no meio de outros sem luz
Foto: Pixabay
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Talentos: Até onde uma empresa deve ir para retê-los?

Quando eu assisti ao filme O Círculo, eu fiquei imaginando os CEOs que já conheci desesperados, pensando em como fazer para ter uma empresa tão cool quanto a mostrada no filme, e trazer todos os jovens-descolados-talentosos-estilo-vale-do-silício para trabalhar em suas equipes.

Para essa galera mais jovem, essa vibe meio coolness é bem importante.

Mas pera lá, antes de falar do filme vamos abrir um pequeno parênteses aqui:

Em uma era onde só se fala em cultura corporativa, em como a geração Y precisa ver sentido e propósito no seu trabalho, em como esperam que seus trabalhos sejam fonte de felicidade, o choque de gerações pode ser perturbador para muitos empresários e executivos que receberam o desafio de inovar para sobreviver.

O mantra parece que é inove, inove, inove! Inove nos ambientes, nos processos, nas pessoas e no core business do seu negócio.

Parece que a própria estratégia virou a inovação.

Mas se olharmos a fundo, qual é a inovação necessária e qual é a supérflua?

Será que toda empresa precisa mesmo ser um campus universitário ou ter escorregas para ser uma empresa atrativa? (Nada contra escorregas, afinal deve ser mega divertido escorregar de uma sala para a outra rs)

Mas bem, voltando ao filme, O Círculo ( que além do nome do filme, também é o nome da empresa) tem todo um apelo de campus universitário, montando uma estratégia de endomarketing voltada para a atração e retenção de jovens talentosos e promissores.

Essa é uma solução encontrada, não apenas no filme, como na vida real, por empresários inovadores, num cenário específico.

Os modismos e tendências de gestão nos fazem procurar soluções prontas, o famoso benchmarking, ao invés de levar o foco para o problema a ser solucionado.

Mas qual seria esse problema?

Como tornar a empresa atrativa para jovens da geração Y, levando em consideração a interação entre gerações com perspectivas muito diferentes do sentido do trabalho?

Simplificando seria: Como manter esse novo tipo de funcionário da geração Y, que pode ter um alto nível de produtividade, uma vez que eles buscam valor, significado e tem uma visão diferente das gerações anteriores?

Como tornar sua empresa atrativa para eles?

Para promover uma mudança cultural na sua empresa e rumar para a inovação necessária à sobrevivência na era das incertezas, será necessário muita escuta e jogo de cintura para lidar com situações mais complexas e humanas.

Sério, essas duas expressões (escuta e jogo de cintura) podem ser o diferencial para montar um time repleto de Y’s, alinhados para sua empresa e focados em devolver algo para ela.

A Pesquisa da Cia de Talentos de 2017 sobre a Carreira dos Sonhos, mostra alguns pontos que profissionais em 3 níveis diferentes de carreira consideram mais importantes numa empresa.

Mas o que isso tem a ver com O Círculo?

Ótimo você ter perguntado.

O filme tem alguns pontos que se intercalam com alguns dados dessa pesquisa, e que eu concordo pelo venho vendo sobre essa nova geração. Vejamos abaixo:

Amizades Forçadas:
No filme:

No filme a personagem principal, Mae, é uma novata na empresa. Ela dá tudo de si para ter a melhor performance possível e poder manter um emprego sensacional.

Logo de cara ela consegue notas excelentes de desempenho e está muito feliz.

Até que um dos funcionários, aparentemente responsável pelo clima organizacional, a pergunta porque ela estava tão isolada e porque ela não se envolvia nas atividades extracurriculares.

E, (pasmem) apresentam a ela o Ranking de Participação, o que a leva a se mudar para o dormitório da empresa para poder participar de tudo e conseguir elevar sua pontuação no ranking, que na realidade era mais conhecido como ranking de popularidade.

Nesse aspecto o filme lembra muito o episódio 3, da terceira temporada de Black Mirror. A loucura da busca pela aceitação e por passar uma imagem constante de felicidade.

Na realidade:

A Pesquisa da Cia de Talentos de 2017 sobre a Carreira dos Sonhos mostra que tanto jovens, como executivos em nível de média e alta gerência demonstram o desejo que o trabalho propicie o desenvolvimento de relacionamentos significativos.

Claro que o filme extrapola a realidade, mas muitas empresas cometem o erro de tentar promover um clima de cooperação e amizade forçado e exagerado que leva ao efeito oposto ao desejado – pessoas superficiais são criadas e relações falsas se sustentam daí.

Um terreno fértil para a fofoca, que certamente não contribui para estabelecer relacionamentos significativos.

O que a pesquisa mostra é que as pessoas querem um ambiente de trabalho saudável.

Ninguém fala que quer fazer amigos no trabalho. Afinal, são pessoas com quem não escolhemos conviver.

Alguns serão mais próximos e até farão amizades e outros preferem manter suas vidas pessoais à parte.

Um ambiente saudável promove respeito pelas diferenças de cada um, respeitando sempre a individualidade de cada um.

E esse é um ponto memorável seja para os baby boomers ou para millennials.

O que nos leva a um segundo ponto:

A Lavagem cerebral:
No filme:

No filme, a personagem fica meio impactada com esse excesso de vida social corporativa e claramente critica os discursos inflados dos CEOs.

Percebe que em geral as pessoas não discordam de nada do que é dito e repetem os bordões da empresa com orgulho e entusiasmo.

Ao longo do filme ela acaba sendo seduzida pelo discurso e deixando de lado valores pessoais, como a da própria família, que até então eram muito importantes para ela.

Isso faz com que ela se sinta momentaneamente parte de algo, porém ignorando um “eu” construído em cima de valores internos, muito mais robustos do que os valores que a empresa passa para ela repetir.

Na realidade:

Poucas pessoas têm a conexão interna necessária até para saber quais são seus valores básicos e, por isso, acatam valores externos que são aceitos pela maioria.

Mas isso não traz propósito real.

Ao contrário, traz um sentimento de exclusão, porque suas ideias não são aceitas e não podem ser expressas.

E como ninguém manifesta essa sensação, a pessoa que pensa diferente vai sentir que ela que está errada.

As pessoas estão carentes de propósito de vida e buscam isso no trabalho.

Esta é uma demanda nova. Antigamente as pessoas se preocupam em se sustentar e, talvez, subir na carreira, para os mais ambiciosos.

Hoje troca-se altas remunerações por empresas que tenham uma missão motivadora para os colaboradores.

É como se buscássemos valores externamente de uma forma tão forte, que as empresas se tornaram lugares para essa busca.

Para os profissionais, ter um senso de propósito claro é um dos principais fatores do sucesso profissional, segundo a Pesquisa, e isso é muito importante para dar liga a seu esforço diário no trabalho.

A empresa deve ter uma missão clara, para atrair aqueles profissionais que tenham valores semelhantes aos dela.

A Transformação Cultural vem de cima:
No filme:

No Círculo toda a empresa é arrumada para pensar “no funcionário”.

Salas descontraídas, para reuniões colaborativas, espaços de co-working, work stations personalizadas e toda a liberdade para criação, inovação e produtividade no último nível de uma empresa a lá Facebook.

Lá tudo parece funcionar perfeitamente, de uma forma que O Círculo começa a se tornar um modelo, a empresa dos sonhos.

Na realidade:

Bem na realidade é um pouco diferente.

De que adianta todo espaço cool, se não há espaço para críticas, não há margem para erros?

Quem ousa dar uma ideia diferente se não tem permissão para errar? Isso está um pouco mais perto da nossa realidade hoje em dia.

Eu admiro muito CEOs da geração Baby Boomer que conseguem abrir a mente e questionar a forma como eles mesmos trabalhavam, que conseguem abrir mão de um lugar de poder absoluto para abrir espaço para contribuição colaborativa.

Afinal, quem recebe, e pode solucionar, a demanda de fazer uma mudança cultural é o CEO.

O desafio é enorme, pois significa mudar a forma como as pessoas veem o trabalho e se relacionam.

Por isso o mindset do CEO é o ponto de partida dessa transformação.

É incrivelmente difícil promover um clima descontraído de trabalho se na sua mente você ainda achar que o respeito à hierarquia é sinônimo de medo e não questionamento, e é isso que os CEOs precisam compreender de uma forma real.

Nesse momento só temos uma certeza, tudo está mudando em alta velocidade e quem não tiver a mente clara e flexível para as novas demandas não conseguirá promover a mudança cultural necessária para atrair os maiores talentos.

E sem maiores talentos, dificilmente seu nível de inovação será alto.

Bem, o final do filme fica no ar, vale a pena ver.

Seja CEO ou geração Y, O Círculo toca em uma questão que abrange muitas áreas de inovação, vida pessoal, valores e quem somos nós e aqueles que nós trabalhamos por.

Carol Palombini


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