A missão de Eva

Mulher grávida com mão na barriga
Foto: Pixabay

Em homenagem ao dia das mulheres, decidi escrever um texto para abordar algumas questões.

Embora eu tenha minhas próprias convicções achei que seria interessante obter outras opiniões.

Perguntei então a um grupo distinto de mulheres (entre 22 e 60 anos), como elas se viam hoje no mundo. O que pensam sobre o papel da mulher, o feminismo e sobretudo: o que querem realmente.

As respostas foram muito parecidas. De um modo geral, queremos e acreditamos nas mesmas coisas.

Só nos falta uma coisinha e o mundo poderia ser bem diferente…

A resposta você encontra no texto abaixo.

 Deus limpou uma lágrima e recolheu-se em pensamento.

A humanidade estava perdida.

Guerras, desentendimentos de toda ordem. Amigos, filhos e pessoas que brigavam e rompiam pelas mais diversas questões e ideologias.

O que tinha acontecido?

Depois de muito refletir, pediu que Eva fosse chamada à Sua presença.

Ela, que havia cometido o pecado original que dera origem à imperfeição humana, a existência do sofrimento e do mal, teria uma chance de se redimir.

Eva quis saber o porquê de ser a escolhida para a missão.

Deus lhe disse que só um ser capaz de gerar a vida, poderia descobrir o caminho para acabar com o ódio e as desavenças.

Portanto, colocava nas mãos das mulheres essa tarefa.

Para isso ela precisaria se reunir com as princesas de reinos distantes para que juntas pudessem encontrar a solução para os atuais problemas da Humanidade.

Convites foram enviados pelos mensageiros.

 Rapunzel foi a primeira a receber. Regozijou-se de emoção! Mas estava presa.

Olhou pela janela. Ninguém viria salvá-la. Não havia nenhum príncipe esperando por ela ao pé da Torre.

Só poderia contar com ela mesma. Traçou uma estratégia e com foco deu início ao seu plano.

Com olheiras de quem passara a noite trabalhando, deu uma última conferida para ver se estava tudo bem amarrado.

Não hesitou. Jogou a corda improvisada com as cortinas e lençóis de seu aposento e rapelou a Torre em busca de sua liberdade.

No caminho, foi em busca de Branca de Neve ainda absorta e entregue em seu caixão de vidro.

Sem pestanejar, libertou a amiga de seu sono eterno com um beijo.

De mãos dadas, foram em atrás de Aurora, que jamais se tornou uma Bela Adormecida.

Ela, que já estava desconfiada dos planos da Feiticeira, fingiu que espetava seu dedo e desmascarou a trama na frente de toda a Corte.

O príncipe que havia ficado em cima do muro foi mandado para o exílio e ela assumiu o trono sozinha.

Aproveitou para mandar seu exército salvar Cinderela da crueldade de sua madrasta, convidando-a para trabalhar com ela. A proposta era para um alto cargo em seu reino.

Chegando lá tiveram uma grande surpresa. Cinderela estava feliz e casada há 5 anos e já tinha 3 filhos com o príncipe .

Com sua enorme bondade, havia perdoado a madrasta e as irmãs, deixando para elas tudo que tinha.

Mulan tinha se separado e defendia causas feministas. Criticava as outras princesas e sobretudo Cinderela a quem achava submissa e antiquada.

Jasmine, tinha recebido uma herança e decidiu que pelos próximos anos só curtiria a vida, as festas e os namorados que encontrasse pelo caminho. Estava adorando a liberdade feminina.

 Bela tinha rompido seu noivado pois a Fera não havia aceitado sua decisão de morar fora para fazer sua pós graduação em relações internacionais. Sua carreira era uma prioridade embora ela tivesse planos de se casar e ter filhos no futuro.

 Pocahontas não foi encontrada porque partira para uma viagem ao redor do mundo. Queria descobrir outros lugares, conhecer novas pessoas sem se prender a ninguém.

 Ariel tinha se casado com o rei dos mares e gostava de viver uma vida de luxo, cercada de ouro, roupas, carros e mansões.

 Eva ficou aflita porque a missão havia sido clara e era necessário que todas comparecessem ao encontro.

Rapunzel, sempre determinada, disse que lhe ajudaria na tarefa e tomou para si a responsabilidade de unir todas as princesas.

Ao final, mesmo com os problemas e dificuldades, todas deram um jeito de comparecer.

Cinderela deixou as crianças com o Príncipe e acabou gostando de sair um pouco sozinha.

Jasmine deixou as raves, os namorados e sentiu-se feliz de poder contribuir.

Pocahontas foi encontrada por Aurora e assim como as demais sentiu-se feliz em fazer algo concreto.

Mulan, que gostava de defender causas importantes não questionou o convite, mas sentiu-se um pouco deslocada afinal vivia criticando o modo de vida das demais.

O encontro foi marcado na hora do almoço, mas para surpresa de todas, a comida não estava preparada. Seria necessário que cozinhassem juntas.

Um pouco contrariadas se dirigiram para a cozinha.

Como era de se esperar, pequenos grupos se formaram. Algumas se manifestaram dizendo que não sabiam cozinhar, outras que não gostavam.

Eva explicou que seria necessária a contribuição de todas.

Deveriam preparar algo que respeitasse o paladar e as diferenças regionais de todas, apesar de suas diferentes localidades, gostos, culturas e saberes.

Não foi fácil. Depois de muito quebrar a cabeça, entenderam que a solução era tirar primeiramente tudo o que não fosse comum ao grupo.

Com o que sobrasse, poderiam então criar algo que satisfizesse todos os paladares.

Algo de extrema importância eram os temperos. Se mal calibrados, poderiam colocar tudo a perder.

Mas com esmero, chegaram a um denominador comum.

Ao final, Eva perguntou: o que levaremos então a Deus como resultado da tarefa?

As princesas se entreolharam, mas foi Mulan quem falou primeiro:

– A resposta está no respeito. Só finalizamos a tarefa quando todas cederam em algo. É preciso entender o outro e respeitá-lo nas suas diferenças. Só assim é que teremos paz e união. Ninguém é melhor que ninguém. Cada um gosta de uma coisa diferente e assim sempre será. Não temos que impor nossa vontade, nosso jeito e gosto. Por maiores que sejam as diferenças, sempre teremos algo em comum.

Eva sorriu feliz e aliviada.

Saíram de lá com a missão de propagar o ensinamento em seus reinos.  Elas seriam embaixadoras e exemplos e assim foi feito.

Sim, essa não é a história das princesas que aprendemos em nossa infância, mas talvez seja a história de todas nós: meninas e mulheres, de todas as idades, cores, religiões, opções sexuais e qualquer outra rotulagem que queiram nos dar.

Não precisamos de nada disso pois desde cedo sabemos que podemos ser plurais e exercer inúmeras funções.

Somos determinadas, capazes e nada pode nos impedir de realizar a missão para a qual nos candidatarmos. Somos competentes e preparadas!

Portanto, não aceitemos rótulos. Podemos ser qualquer coisa desde que estejamos felizes e nos enxerguemos verdadeiramente nesse papel.

Exigir nosso espaço e respeito não significa perder a essência que nos faz tão capaz!

Que as gerações mais novas não se intimidem. Aos poucos entenderão do que gostam, como gostam e de que forma querem viver.

Há espaço para todas e não é preciso ser menos mulher e menos feminina para isso. O respeito não se ganha com ameaça ou grito.

Com doçura podemos impor limites e dizer onde e quando.

Com inteligência é possível ser a princesa que quisermos, ou todas ao mesmo tempo. E ser chamada de princesa não é demérito, é carinho!

Assim como se troca de fantasia, se exerce inúmeros papéis.

E esse conceito vale para tudo nessa vida.

Agradeço a todas as amigas que dividiram comigo o seu jeito de se ver no mundo. Espero que vocês tenham se sentido representadas nas princesas.

Mulheres totalmente diferentes, mas que no fundo querem as mesmas coisas: oportunidades iguais, respeito e qualidade de vida para ser quem são e fazer escolhas!

No final, o importante é ser feliz.

Claudia Taulois – Escritora, Publicitária e Founder da Engaging

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