Vanessa Monetti, Coach de Vida e de Carreira nos presenteou com um texto que traz uma análise sobre como o medo pode impactar as mudanças que precisam ser feitas, e a importância do papel do líder em momentos de vulnerabilidade.

 

No final do mês de julho finalizo mais um ciclo que foi de muitas formas impactado pela pandemia do COVID. Um ciclo de muitos aprendizados, onde pude conhecer teóricos como Kurt Levin, Bion, Schütz, Pichom e tantos outros. Um conhecimento profundo sobre a dinâmica dos grupos, mas acima de tudo, sobre mim mesma e os papéis que desempenho nos grupos dos quais faço parte.

Este ciclo será encerrado com minha certificação pela SBDG após a entrega do TCC que está sendo feito com outras três grandes amigas, amigas que este curso me trouxe. Amigas que tiveram paciência de escavar minha rigidez e descobrir muitas faces da Vanessa.

Para nosso TCC escolhemos analisar o filme Encanto da Disney, pois entendemos que o mesmo possibilita a análise dos papéis dos membros da família Madrigal, o tipo de liderança exercido pela Avuela, as relações e crises familiares.

O filme explícita a necessidade de mudanças pelas quais os grupos passam de tempos em tempos, mostra quanto sofrimento o enrijecimento de papéis pode causar aos seus membros  e como é difícil a tarefa de, através do autoconhecimento, conseguir a distância necessária para  olhar o funcionamento e as relações que estão colocando a saúde e continuidade do grupo em perigo e com isso, promover uma mudança ou até mesmo uma transformação do mesmo.

Fica claro que o medo muitas vezes impede o líder do grupo de operar estas mudanças por entender que em “time que está ganhando não se mexe”. Ele se agarra em coisas que funcionaram e foram muito importantes para o desenvolvimento do grupo no passado e, receia que qualquer mudança trará a destruição de tudo que foi construído.

A protagonista do filme, Mirabel, realiza esse processo de mudança, assumindo seu novo papel na família e na sociedade e promovendo, através de uma comunicação clara, aberta e autêntica, a mudança que a família precisava para que pudesse continuar viva.

Com essa mudança, os demais membros do grupo também se sentem livres para desempenhar seus novos papéis e conseguem entender que, mesmo mudando, continuarão sendo reconhecidos e amados pela família e pela sociedade.

Essa análise veio mais uma vez ratificar a importância do autoconhecimento não só para a pessoa que se entrega nesse processo como também para todas as pessoas com as quais ela se relaciona nos inúmeros grupos dos quais participa.

Em quantos grupos você participa? Quais papéis você exerce nesses grupos? Sente que algum papel que desempenha não ajuda nem a você e nem ao grupo?

O processo de coach é uma das formas de mergulharmos em nós mesmos, olharmos estes processos  e promovermos as mudanças que entendemos necessárias.

Não é terapia, mas, com toda certeza, é extremamente terapêutico.

Vanessa Monetti, Coach de Vida e de Carreira e especialista da Engaging