A prova era em alto mar. As participantes iniciaram bem, mas de repente uma ficou para trás, chamando a atenção da equipe de segurança que acompanhava a competição. 

Vendo que ela parou, expressando dor, aproximaram-se perguntando se necessitava de ajuda, recusada imediatamente.

O mesmo cenário se repetiu por algumas vezes. Embora estivesse contundida, não queria se entregar, mas a batalha ia ficando cada vez mais difícil para a competidora que a essa altura duelava apenas contra si própria, dada a distância que havia entre elas e as demais participantes.

Após grande sofrimento, finalmente rendeu-se. Ao entrar no barco de suporte, sentiu imenso alívio embora estivesse profundamente triste e decepcionada.

Pensou em seu comportamento: porque a teimosia? Era evidente que naquelas condições, dificilmente completaria a prova. Enquanto era atendida percebeu que sua relutância poderia ter aumentado sua lesão e ainda a colocara em risco. 

Uma estupidez, na verdade!

É aí que entramos na reflexão dessa semana: como saber até onde insistir e quando o limite é atingido?

Muitas vezes, nos colocamos em situações absurdas por puro ego, orgulho e capricho.

A quem esperamos enganar quando nem nós acreditamos mais? Não seria muito melhor simplesmente “jogar a toalha” e pedir ajuda?

É preciso entender que estar nessa posição não nos faz menores, nem representa quem somos ou nossa capacidade.

Podemos ter problemas ao longo da jornada, perder algumas batalhas, mas isso não significa que estejamos condenados a esse lugar.

Agora, ao insistir na mentira, podemos sim, prolongar muito o nosso sofrimento e a nossa capacidade de recuperação.

Quantas coisas será que já negamos por medo, vergonha, etc.? E, ao mesmo tempo, será que essa verdade que tentávamos esconder era clara e cristalina para todas as pessoas ao nosso redor?

Ao final, éramos os únicos iludidos?

Em alguns casos, encarar a verdade pode ser tão traumatizante, que enganemos a nós mesmos…

Dias atrás fui surpreendida ao me ver respondendo “sim,” a uma questão que me parecia impossível.

Ao ver essa simples palavrinha de três letras, mas de tanto poder e significado, sair de minha boca, fiquei surpresa!

Como assim? Após anos de negação, finalmente confessava…

Apesar de ser libertador, me entristeceu, afinal poderia ter resolvido essa pendência há bastante tempo!

Quanto tempo e recursos desperdiçamos inutilmente! Tudo poderia ser bem mais fácil se buscássemos ajuda para nossas dores e problemas assim que eles surgirem!

Mas preferirmos nos afastar da verdade. Sangrar, adoecer e como na história, deixar que a lesão aumente para não ter que enfrentar a derrota e a vergonha.

Vale a pena? Não!

Pois bem, se há em você algo que precise ser enfrentado ou abandonado, o faça já! Pouco importa o que os outros irão dizer ou pensar. 

Preocupe-se apenas com você, com sua verdade e bem-estar!

Chega de se enganar, afinal é você quem está no mar e a água ficará cada vez mais fria e você, mais cansada.

Aceite os fatos, cuide-se  e quando estiver recuperada, volte para a competição! É isso que te faz feliz!

 

Claudia Taulois – Publicitária, Escritora e Founder da engaging.com.br