Vivemos uma época de grande polarização onde a palavra de ordem é o cancelamento. O que não nos agrada ou não corresponde às nossas crenças é sumariamente eliminado!

Excluir é mais fácil que debater. Não toleramos as opiniões contrárias, mas apoiamos a criação de grupos que nos coloquem em caixinhas diferentes.

Não parece ser um pouco contraditório?

No meu entendimento, seria melhor sentarmos todos juntos em uma grande mesa para debater ideias, respeitando sempre a opinião alheia. Certamente ambos os lados aprenderiam bastante e muitos denominadores comuns poderiam ser descobertos desse farto caldo.

Se ao contrário, só nos sentarmos com nossos semelhantes, que “insigths” poderemos ter? Poucos!

O mundo perde, pois, condenamos o futuro da criatividade, da inovação, da cultura e do pensamento! É como escolher uma tela monocrática em detrimento de uma multicolorida.

Dada essa introdução, qual a sua opinião sobre a criação de cotas e grupos que discutam as questões das minorias sociais, nas empresas?

Para ficarmos na mesma página, o termo “minorias” é utilizado para referir-se a grupos específicos dentro de uma sociedade, que possui alguma desvantagem devido aos seus aspectos econômicos, sociais, étnicos, culturais, físicos ou religiosos.

Obviamente que merecem toda nossa atenção e respeito, mas entendo ser preciso ter cuidado.

Às vezes tenho a impressão que algumas pessoas defendam a ideia dos grupos de minorias para apaziguar a própria consciência, para terem a sensação de serem socialmente responsáveis, pois muitas delas agem totalmente diferente quando não estão na mesa de reunião, ou sendo elas mesmas no dia a dia.  Posso estar errada ou ter sido testemunha de muitos exemplos a serem esquecidos…

De qualquer forma, penso que apenas a questão econômica pode impactar em uma desvantagem, afinal quem tem menos condições financeiras não consegue ter acesso às melhores escolas e vivências culturais, que nos abrem a mente, enormemente.

Não acho positivo, no entanto, rotularmos um ser pela sua situação, seja ela qual for. Estar em uma conjuntura “x”ou “y” não define quem somos e nossa capacidade.

Dizer que um ser humano precisa de uma condição especial confere um preconceito, que não é benéfico.

Esse rótulo que a sociedade tenta nos impor pode ser a origem do vitimismo, dos sabotadores internos e de uma baixa autoconfiança. E essas sim, são questões que podem impedir o crescimento e o sucesso de uma pessoa!

Quem aqui gostava de ser rotulado como “café com leite” nas brincadeiras infantis? Acredito que ninguém!

Quando nossa autoestima e autoconfiança estão boas, não queremos nos destacar de maneira negativa.

A verdadeira inclusão é aquela que vê a todos como semelhantes, seres plenamente capazes de desenvolver suas funções e vencer,  presenteando a capacidade e os resultados.

Sabemos, no entanto, que o  mundo é injusto e que nem sempre as ações são baseadas na meritocracia, mas não podemos criar ainda mais barreiras e divisões.

Nesse âmbito, importante que as empresas implantem processos de contratação sem viés, com mecanismos e filtros que inicialmente avaliem apenas as habilidades e competências.

Dessa forma, todos ganham, pois, assegura-se que o candidato mais aderente a vaga seja o escolhido. Governança, transparência, ética e talento são colocados em primeiro plano e é isso o que mais queremos!

Quanto a nós, meros mortais, já seria um bom começo exercitar a escuta atenta, a empatia, a liberdade de opinião e o respeito. Além disso, vivenciar verdadeiramente o discurso nas ações, sendo aquilo que pregamos no trato com os outros.

Bora eliminar as caixinhas e os rótulos, afinal somos todos iguais!

Para finalizar, gosto sempre de frisar que não sou dona de nenhuma verdade e adoro conhecer a opinião alheia. Mesmo que ao final eu não concorde, jamais excluirei ou tratarei mal, meu interlocutor.

E você, qual sua opinião? Conta para mim!

Claudia Taulois