As lideranças passam. As empresas ficam… ou não.

Podemos levar anos para construir uma empresa ou uma reputação, mas podemos perder tudo em pouco tempo se não honrarmos princípios básicos e que ainda bem, estão cada vez mais em alta.

Construir uma cultura corporativa sólida que resista ao tempo e às crises, requer verdade, ética e comprometimento com a história das pessoas que ergueram os pilares que deveriam ser sempre o norte de todas as decisões.

Mas é sempre tempo de fazer o certo e talvez seja mais fácil aprender da forma como as crianças o fazem: sejamos lúdicos!

Que essa Fábula nos faça refletir e evitar que as guilhotinas continuem a ser usadas!

Próximo aos Países Baixos, num lugar de lindos pássaros e estrelas das mais brilhantes havia um reino de pessoas muito felizes e motivadas.

O rei era uma pessoa muito bondosa, sábia e culta.

Todos viviam em harmonia e trabalhavam de forma unida para o bem coletivo e prosperidade de todos.

Era um local alegre e de muitas festas, música e arte.

Por ser um povoado pequeno, nem sempre era possível crescer da maneira que se gostaria e assim, era comum que muitos partissem em busca de oportunidades. Mas o sentimento de pertencimento, gratidão e amizade permaneciam e vários filhos acabavam retornando à casa.

O monarca, apesar de suas inúmeras qualidades, não dispunha de muita malícia e assim, acabou sendo enfeitiçado pelo canto de uma Sereia, que com ele, aprendeu tudo que podia.

Após conchavos com outros Reis, acabou derrubando seu Mentor e ascendeu ao trono.

O rei sem poder defender seu povo e a si próprio, partiu para o exílio.

Pouco a pouco as pessoas passaram a notar as mudanças. Sob a liderança centralizadora da nova rainha, viu-se surgir o medo, a falta de diálogo e de transparência ao passo em que a vaidade, ego e arrogância cresciam.

Não havia mais filhos que quisessem retornar ao lar. Além disso, os antigos súditos, um a um, eram sumariamente dispensados de seus serviços.

Pouco a pouco, foi mudando tudo que podia e inclusive um novo castelo foi erguido para lhe satisfazer. Nenhum luxo foi poupado. Ainda assim, não se sentia amada como fora seu antecessor e isso lhe consumia.

Entendeu precisar acabar com todos os resquícios do passado e eliminar aquela presença e lembrança indesejada e para isso seria necessário construir uma nova realidade.

Mais e mais pessoas passaram a ser desligadas. Ninguém sabia ao certo o dia de amanhã e a sensação de poder ser “a bola da vez” aterrorizava a todos.

Estavam todos sob constante pressão. Era triste dar adeus a amigos de tantos anos e de tantas batalhas, mas não havia nada que podia ser feito.

Certo dia uma praga espalhou-se pelo reino, colocando em risco tudo e todos. Ela apavorou-se e sem encontrar uma solução, mandou chamar pela Feiticeira mais poderosa que havia.

Prometeu-lhe tudo em recompensa.

Após caminhar entre as luxuosas instalações a Bruxa disse que já sabia o que precisava ser feito. A rainha regozijou-se de satisfação: estava salva!

Aflita para ver-se livre da maldição, pediu que ela falasse logo, dando fim ao seu martírio.

A pobre mulher disse que seria preciso reunir 5 pessoas que soubessem reescrever a história do reinado sem ocultar ou adulterar nenhuma passagem, retratando a saga num livro que ficaria exposto num lugar em que todo o povoado pudesse ter acesso.

Era preciso, no entanto, que as 5 pessoas narrassem a mesma versão.

A rainha imediatamente mandou que seus serviçais fossem em busca desses “guardiões da memória”, mencionados pela velha mulher.

Após horas ausentes, voltaram suados e com expressões pesadas.

Fizeram uma busca completa, mas só havia em todo o reino,  2 pessoas com capacidade de cumprir parte da missão, pois não conheciam o passado mais remoto.

Enfurecida, a soberana recusou-se a aceitar aquela resposta, chamando-os de incompetentes. Buscou por nomes em sua memória, e conforme os pronunciava era lembrada de que os havia expulsado do reino.

Não havia como cumprir a tarefa e assim, ela passou a investir contra a Feiticeira.

A mulher argumentou que não havia poção capaz de mudar a realidade. Era preciso resgatar a alma do lugar e isso só poderia ser feito por meio da recuperação da história, da cultura e dos valores que haviam se perdido.

Enraivecida, usou de seu poder e condenou a pobre mulher à forca.

Mas não foi capaz de salvar a si própria e ao seu reino que foi devastado pela praga e pela miséria.

Dessa pequena história podemos tirar algumas lições importantes:

  • Ter gratidão e respeitar quem nos ensinou e nos deu oportunidades;
  • A cultura de uma empresa é a sua alma e ela é vivida no dia a dia de todos;
  • Um bom ambiente é vital para o bem-estar das pessoas e para o resultado do que fazem;
  • Valores são inegociáveis;
  • Afeto não é comprado. Apenas conquistado;
  • Poder e honra são coisas completamente diferentes;
  • A sociedade está cada vez mais ciente de sua força e de seus direitos;
  • Sobreviver significa respeitar, cuidar e zelar das pessoas e das sua memórias

 

Claudia Taulois