Não tem com quem conversar? Ou será que não consegue dizer o que pensa?
Que tal usar um aliado que não nos interrompe, não nos questiona, nem julga?

Quando alguém te diz: “papel aceita tudo”, você acha positivo ou negativo? Eu sempre achei bom e fiz dessa possibilidade, todas as minhas!

Sim, ele sempre está lá em branco a espera de nossas impressões, ideias e confissões. Sempre aberto para nos receber. Sem julgamentos.

Podemos até fazer perguntas. Sabemos que ele não pode nos dar as respostas. A ausência nos faz refletir e entender que elas também são nossas. Ele apenas aceita e acolhe.

De todos os ouvintes, é certamente o mais discreto e leal.

Por muitos anos, mantive diários com os quais dividi minha vida e meus sonhos mais íntimos.

Se na época, foi além de amigo, psicólogo (por me escutar tão bem), hoje me serve (quando preciso) de memória para algumas passagens que o tempo se encarrega de apagar. Além disso, ao reler coisas do passado, com a maturidade do momento, entendemos muito de nós mesmos e percebemos erros e incoerências que antes não podíamos ver.

Quem usa, sabe que nunca está sozinho!

Por que então não confiamos mais nesse amigo e não dividimos ao menos com ele, todas as nossas dores e medos, assim como as alegrias e desejos?

Para mim, ele sempre foi um amigo presente por quem me apaixonei ainda cedo. Gosto de tudo: do cheiro, da textura, da cor.

Do papel, estamos a um passo das letras e de tudo que podemos construir ou destruir através delas. Sim, a palavra tem poder!

Não por acaso me tornei escritora. Quantas coisas só consegui dizer pela escrita! Quantas histórias vivi dentro de minhas narrativas! Quantos lugares visitei…

A tecnologia nos deu novas alternativas e ao digitalizar praticamente tudo, diminuiu seu uso, mas jamais o substituirá por completo.

O importante é que, seja no meio for, sempre teremos uma página em branco a nossa disposição.

Uma ideia. Um desabafo. Uma declaração. Uma despedida. Um convite.

O céu é o limite! Basta começar.

Boas histórias!

Claudia Taulois