Empreendedores costumam se dividir em dois grandes grupos: o dos especialistas em algum produto ou serviço e o dos profissionais com forte perfil comercial. E nem um, nem outro costuma motivar-se pelo dia-a-dia da gestão – muito menos pelas rotinas administrativas.

Um grupo gosta mesmo do desafio técnico, da inovação, de desenvolver novas soluções. Já o grupo com perfil comercial despeja sua energia para a expansão do negócio, através do corpo-a-corpo com os clientes.

Acontece que um negócio, de qualquer porte, é como um banquinho de três pernas: só para em pé se as três estiverem no lugar. E se uma for mais curta que a outra, você pode até sentar-se nele, mas o desconforto será eterno.

No caso, as três pernas do “banquinho” empresarial são, técnica (produto/serviço), comercial e gestão. No entanto, é devido a esta quase aversão a temas gerenciais e administrativos, que tantas boas ideias se perdem em negócios que decolam, mas não se sustentam.

Vale notar que, no Brasil, até as empresas de grande porte, com sólida estrutura gerencial, enfrentam problemas ao longo de suas trajetórias. Nossa economia é volátil demais e o ambiente de negócio é pouco amigável. Se estes gigantes sofrem, o que dizer das pequenas, com estrutura frágil e pouco capitalizadas?

Portanto, as empresas que vão mais longe e enfrentam melhor as inevitáveis turbulências, são aquelas que estão “na mão” do empresário. Não me refiro a nada complicado ou cientifico, mas de coisas básicas – e tão frequentemente negligenciadas. Controle financeiro, para começar!

Sei que o empreendedor leva uma vida duríssima: ele compra, paga, produz, vende, cobra, contrata, treina, demite e por aí segue. Não tem tempo para nada e, obviamente, desenvolver produtos e mercados são as prioridades.

Entendo isso direitinho, conheço o problema por dentro, até porque sou empreendedor também. Mas minha longa trajetória em multinacionais definiram meu DNA e eu simplesmente não consigo deixar de gerenciar meus negócios. Obviamente eu não sou o padrão. E também não sou perfeito: a perna da gestão está lá, firme, mas a comercial não é tão desenvolvida. Assim é a vida.

Sempre recomendo a empreendedores que não têm o meu perfil  de gestor, que contratem profissionais para ajuda-los naquilo que a falta de tempo, habilidade ou de interesse, não atrapalhe o seu negócio. Pode ser um diretor administrativo-financeiro ou um estagiário da faculdade de Administração, não interessa, mas busque ajuda.

Vale a pena!

 

Fernando Blanco

CEO da Blanco ECN – Educação para Carreiras e Negócios