A Engaging é apaixonada por histórias. E em momentos de maior dificuldade como o que vivemos agora, ter exemplos de superação é sempre muito gratificante.
Poder compartilhar caminhos e a experiência de quem lutou e venceu, é o que mais queremos.

Seja como empregado ou empreendedor, queremos acreditar que existem milhões de histórias inspiradoras por aí a espera de um espaço e no que depender da Engaging, estaremos sempre prontos para contar essas trajetórias de luta e coragem para incentivar quem ainda está na batalha.

Quem nos presenteia hoje com sua narrativa é a empresária Marcia Oura da Green by Missako. Esperamos que os ensinamentos dela de coragem e persistência inspirem a todos vocês e que possamos contar inúmeras histórias como a dela.

 

Sempre que vejo uma entrevista comigo, vejo tão claramente a história sendo contada como uma colcha de retalhos alinhavada com os números que acumulei ao longo da vida. É mais ou menos assim: eu Marcia Oura, estou à frente da Green by Missako há quase 35 anos. Tenho três filhos, já adultos. Já exportei para três continentes e tive lojas franqueadas em três países além do Brasil: na Arábia Saudita, Itália e Portugal. Atualmente dirijo 17 lojas próprias, 11 franquias e vendas para clientes multimarcas.

Minha primeira coleção, que nem posso chamar assim, tinham seis modelos, cujo objetivo era complementar o mix de produtos da minha primeira loja multimarcas, no bairro da Liberdade, em São Paulo.

Eram produtos que não existiam no mercado e que traziam no seu conceito os valores que eu acreditava. Com incentivo insistente de um vendedor, me dispus a produzir 300 peças, nesses seis modelos e o primeiro pedido de compras foi de 3.000 (isso mesmo, três mil) peças. Assim, nasceu a Green.

Mas, estou aqui para mostrar isso tudo de outra forma, pela ótica dos sentimentos, do que vivi em cada momento e como decidi agir…

Eu era uma jovem, casada com um filho de colo, quando estava terminando minha residência em pediatria, na USP (Universidade de São Paulo). Queria seguir carreira acadêmica, mas tive uma decepção profissional, e hoje, posso dizer que foi a minha primeira “troca de pele”.

Não abandonei a pediatria, mas me dividi entre a anamnese médica e a ousadia de criar roupas para crianças, com valores que sempre acreditei, conforto, design, praticidade e capricho. Estava cansada de ter que trocar o meu filho, sempre que íamos sair, porque ou ele estaria vestido com a roupa de ficar em casa, que não tinha nenhum charme nem estética, ou tínhamos que colocar roupas mais arrumadas, que deixavam ele muito desconfortável e dava muito trabalho na manutenção. Ok, as mães de meninas sofriam mais com isso do que eu, mas meu olhar não era indiferente para tal desconforto dos nossos filhos.

Desde o princípio eu me joguei de cabeça, me dediquei em cada detalhe da singela meia dúzia de peças que inauguraram a Green. Em poucos dias, me vi desafiada a produzir muito mais e não era para qualquer mercado. Engoli o medo e as mil variáveis que tomavam conta da minha mente, respirei fundo e deu certo. Dali em diante, a Green havia rompido a barreira da loja de bairro da Liberdade para fornecer para o mercado em geral.

Ah, mas tudo sempre conspirou a nosso favor? Não. Contudo, eu vejo a vida da seguinte forma. Por ora, irão aparecer dificuldades no seu caminho e não é sua culpa, mas você precisa ter resiliência e sabedoria para entender que os momentos difíceis só existem como motivo para você aprender e se fortalecer, e seguir. Parece clichê, mas não é. Veja só um dos momentos que eu vivi.

No final dos anos 80, a economia brasileira estava estagnada. Com a responsabilidade de manter toda equipe pensei, precisamos exportar. Meu sócio, mais consciente, perguntou, para onde, como, o quê? E eu disse, para os Estados Unidos.

Meu segundo filho tinha apenas dois meses, quando embarquei (sem ele) para um trabalho de campo nos EUA, indo a diversas cidades, estudando todo tipo de lojas, materiais, preços, preferências locais, vitrines … tudo.

Eu não tinha noção da complexidade de como era exportar. Mas, eu estava determinada a fazer aquilo e fui atrás. Voltei com a cabeça fervilhando. Poucos dias depois, recebemos nosso primeiro cliente. Eu sentia que estava certa. Quando você faz o seu melhor, e como se a vida viesse lhe entregar, em mãos, as informações mais preciosas. Os caminhos se abrem.

Agir com responsabilidade e empenho, fez da Green, durante alguns longos anos, uma referência de marca, made in Brazil, no exterior. Mas como a vida é imprevisível, tivemos que dar alguns passos atrás para não perder nenhum dos pilares que acreditamos ser a base da marca. Hoje estamos apenas no Brasil, crescendo e nos reestruturando para o momento em que nossa economia voltar a crescer.

Você não imagina como as coisas irão acontecer, mas elas acontecem. O projeto da Green nunca foi fazer o que todo mundo está fazendo, sempre foi e será surpreender o cliente. O que muitos podem chamar de sucesso, prefiro chamar de coragem. Coragem de olhar no futuro uma oportunidade e trabalhar muito no presente para chegar lá.

A vida tem um propósito, seja no momento difícil ou bom. Não soma, ficar sofrendo pelo passado. A cada imprevisibilidade negativa, eu pensava, “todos os momentos difíceis passam e eles sempre irão passar”. A vida não faz a gente passar um momento difícil sem ter ali um aprendizado que irá contribuir na nossa caminhada.

O que eu não costumo fazer e dedicar tempo para o sofrimento. Reflito muito sobre o que tirarei de proveito daquela situação, e nunca fico olhando sobre como poderia ter sido diferente. Sigo o caminho que a vem pela frente.

Independente da força com que a mudança venha, não fico resistindo, reflito sobre qual a escolha e confio muito que a vida sempre ajudará quem tem coragem para fazer suas próprias escolhas. Foi assim durante minha vida. Se me dissessem há 40 anos que eu estaria à frente de uma das marcas infantis mais influentes do Brasil nas últimas três gerações, confesso que não saberia o que responder.

Por que eu não saberia? Porque a vida traz muitos imprevistos e eu aceito mudanças. Sempre me guiei pelo que acredito e escolho fazer o que eu sinto. Assim, cheguei aqui, até vocês.

Marcia Oura: fundadora da Green By Missako